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LIVROS QUE COMPREI NA BIENAL EM 2016

Posted by aventuradeaprender on September 5, 2017 at 9:30 PM Comments comments (0)

RESENHAS DE LIVROS


Livros que comprei na Bienal em 2016


Ano passado (2016) eu estava em um propósito de ler apenas livros cristãos. Em 2015 tinha lido 61 livros, mas apenas uma série cristã (de 3 livros) e outro que comprei como secular e só descobri ser cristão quando terminei de ler. Como tudo que é demais nos escraviza, senti pelo Espírito Santo de fazer esse propósito. Entretanto, comprei alguns livros para aproveitar as oportunidades e só os li esse ano (2017). Os das resenhas a seguir são o que comprei na Bienal.




Era uma vez – A busca

Autora: Bibi Ribeiro


Isabella nunca se encaixou em nenhum grupo. Se considerava estranha e tinha dificuldade em se relacionar com outras pessoas. Então eis que surge uma grande oportunidade que vira todo o seu mundo de cabeça para baixo. Ela seria uma Procuradora de Princesas Perdidas, com a importante missão de encontrar as tão conhecidas Princesas de Contos de Fadas no meio de tanta gente comum (ou nem tanto) do Mundo Real. É claro que ela teria uma ajudinha. E esse parceiro é Lucas, um adolescente adorável que também se encontra perdido no meio dessa confusão em que as Princesas se colocaram. Como eles farão para encontrar essas Princesas quando essa busca envolve tantas situações complexas e sentimentos? Entre neste livro e viaje para o Mundo Real para descobrir o que acontece.



Esse livro comprei em lançamento que a autora estava promovendo no stand da editora e até conversamos bastante lá no dia e também depois pela internet. Resolvi ler durante minha viagem de aniversário em fevereiro desse ano.



O livro conta a história de Isabella, uma adolescente de 16 anos que não se dá bem com a mãe e é recrutada pela “Liga de busca real” para procurar princesas que se perderam quando vieram para o nosso mundo. Então ela descobre que a mãe dela também havia sido recrutada com essa idade. Quando ela falou isso eu me identifiquei bastante porque os 16 anos também foram um tempo marcante pra mim:



“O que tem de tão especial em ter dezesseis anos? Tudo acontece nessa idade, é?”


 

Na tal liga ela conhece Lucas e logo se tornam melhores amigos e namorados. Só que ele se mostra distante em relação à vida pessoal até que ele lhe leva em casa e ela descobre que ele mora com os avós adotivos que o adotaram quando foi abandonado e por causa dele criaram um abrigo pra cuidar de outros em situação de abandono. Então o livro vai alternando a busca das princesas com o relacionamento dos dois.



Eles conhecem os príncipes e as histórias reais. Cada uma das princesas se perde em um pecado referente a alguma personalidade ou situação que teve na história. O trabalho deles é encontrá-la para convencer de que trilhou um caminho errado. Branca de Neve se tornou gulosa, Cinderela compulsiva por compras, e por aí vai...



“As relações dos contos e da vida real... As princesas estavam perdidas em problemas nossos... O mundo que elas não conheciam... Os pecados que elas não conheciam e que nós mesmos caímos constantemente... Elas são tão como nós quanto qualquer um pode ser”.



Um ponto que me marcou até por causa da experiência que já tive nesse meio é quando Isabella e Lucas estão suspeitando que uma das princesas fez pacto com o diabo e resolvem pesquisar sobre o assunto. Sim, a autora dá muitos detalhes e isso me surpreendeu bastante em um livro infantil:



“Não conseguia acreditar que pessoas trocavam as coisas boas de Deus por satanás e seus bens materiais”


 

De fato, muitos só têm interesse em dinheiro, fama e poder e por isso fazem pacto pra ter essas coisas porque não amam a Deus e a ninguém a não ser que esses possam lhes beneficiar. O que realmente não consigo entender é como pessoas fingem adorar a Deus e estão servindo ao diabo ou como negam a Cristo pra fazer isso. Já falei um pouco desse assunto quando resenhei o filme “O visitante”.



No meio do livro, Lucas e Isabella brigam por um motivo totalmente fútil. Eu fiquei muito revoltada e triste com isso... Lembro de sensação parecida apenas quando assisti ao filme “As estrelas me mostram você” em que acontece algo semelhante.



“Vocês acham que as princesas se perdem em algo ruim aqui, mas nas histórias elas eram perfeitas e ficam se baseando nisso... Simplesmente parem de ver as princesas como os seres perfeitos que elas não são! Ficará mais fácil quando perceberem que também nas histórias, elas têm defeitos e recaídas... Quando vocês virem as princesas como pessoas normais, vão entendê-las.”



O que acho fascinante nos contos de fadas e nas mitologias em geral é que a quase totalidade é baseada na Bíblia ou na tradição oral. Antigamente não existiam as escrituras compiladas para Israel nem para a Igreja, e as histórias eram transmitidas oralmente ou pela arte sacra. Em povos que não conheceram a Lei e o Evangelho ainda é assim. Há um livro chamado “O fator Melquisedeque” que ainda não li que fala sobre isso. Claro que apenas a Bíblia é o registro fiel da Verdade, mas em todos os povos há histórias que servem de ponte. Estudei na faculdade sobre a estrutura do “monomito” que é a base de quase toda história e os passos são idênticos ao processo de conversão e santificação cristãs. Até o filme “Por que eu?” brinca com essa questão.



Pode parecer confuso, mas vou dar alguns exemplos. Nas histórias das princesas que esperam pelo príncipe é uma clara analogia da Igreja que espera por Cristo. Apocalipse 2 e 3 é a perfeita descrição de um Reino com direito a coroas e tudo o mais! (deve ser por isso que na minha pior fase espiritual eu vivia usando coroa na cabeça e saindo por aí kkkkk). A história dos três porquinhos parece uma referência de quando Jesus diz que devemos construir a nossa casa (vida) sobre a Rocha como fundamento, e o apóstolo Paulo alerta em 1ª Coríntios que obras de madeira, feno e palha serão simplesmente queimadas no fogo do julgamento no Tribunal de Cristo. Recentemente descobri que o mito do rei Midas (aquele louco que transformava em ouro tudo o que tocava a preço de perder a vida) tem origem na cidade de Sardes. Em Apocalipse ela representa o período da igreja do Renascimento que fez exatamente isso. A História fala que eles perseguiram riquezas, mas não tinham vida espiritual nenhuma (a não ser as exceções) e hoje dá até dó de ver no que aquilo tudo se transformou... Até mesmo as distopias que fazem tanto sucesso atualmente é uma analogia com o reino do anticristo que se levantará. Enfim, se procurarmos com certeza acharemos mais coisas, mas isso é o suficiente por aqui.



A única coisa que me chateou é que o livro acaba na melhor parte quando finalmente pensei que todos os mistérios seriam revelados e não foram porque se trata de uma trilogia com mais dois livros para serem lançados.



“Pela primeira vez eu fui útil na vida de alguém. Pela primeira vez eu tive a chance de ajudar e mudar a vida das pessoas. E eu pude mudar a minha vida. Eu pude me mudar. Mas sabia que estava só no começo. Eu precisava me reencontrar e entender a minha história.”


 

Spoilers: 


Depois de brigar com Lucas, Isabella sai da liga porque sente que não estava sendo valorizada. Ela logo é chamada pra voltar porque não tem ninguém pra substituir, mas eles continuam se evitando. Trabalham juntos, são amigos, mas todos notamos que um ainda gosta do outro. No final finalmente fazem as pazes, mas o livro deixa várias pontas abertas: o que Lucas ainda não contou pra Isabella, o que a mãe esconde dela, porque Priscilla (funcionária da liga) age de forma perversa, porque as princesas se perdem todo ano...



Os escolhidos de Gaia

Autora: Marcela Mariz


Albert tem 15 anos e acaba de receber um convite que pode transformar sua vida e de sua família para sempre: a chance de pertencer a uma sociedade avançada que só é revelada a um grupo especial de pessoas escolhidas. Com a perspectiva de viver melhor, seus pais e sua irmã gêmea Ruth mergulham em um novo e empolgante mundo, em que a tecnologia extremamente desenvolvida torna tudo mais fácil e divertido, ao mesmo tempo em que o contato com a natureza preenche os dias com paz e tranquilidade. Porém, uma série de acontecimentos inusitados os faz desconfiar que há algo de estranho por trás daquele local aparentemente perfeito, de justiça e liberdade. Após receber ameaças, a família é arrastada para o centro de um escândalo, com séries acusações, tornando seu destino incerto, perigoso e obscuro. E muito longe do local que costumavam chamar de casa


O livro começa quando Albert tem um sonho com tsunami e um homem falando sobre Gaia. Pouco tempo depois a família dele recebe a visita de Julius que diz ser de um planeta com esse nome e que eles foram escolhidos para ir morar lá. No começo dá tudo certo e apenas o pai de Albert (Victor) não gosta porque lá é totalmente esotérico e ele é cientista.



Ao longo do livro descobrimos que esse planeta são os sobreviventes de Atlântida que conseguiram se refugiar. Só que Victor juntamente com um amigo de outra família escolhida são acusados de roubo e de assassinar o presidente do planeta. As esposas deles resolvem tentar investigar e acabam presos também.



Eu gostei da leitura, mas é claramente esotérico e ocultista. Imaginava que descobririam que todo o planeta era maligno e uma farsa e assim seria se fosse seguir a realidade.



A parte mais legal e aproveitável é a que explica sobre os três tipos de sonhos: Os de reflexão (coisas do dia a dia), emocional (coisas do passado e subconsciente) e de revelação (mensagens importantes e geralmente são os que mais lembramos).



Outro ponto interessante de reflexão é que o mundo perfeito não existe porque a natureza humana é naturalmente depravada seja na terra ou em outro planeta (se isso fosse possível). Apenas Jesus pode nos curar disso quando reconhecemos que somos pecadores e precisamos que Ele nos salve. Ainda assim, nesse mundo continuamos sendo pecadores em busca de santidade e só seremos todos perfeitos depois da glorificação quando Jesus voltar.



Interessei-me em comprar o livro porque a autora diz que se inspirou um sonho para escrever. Segue o relato dela ao site IG:



“Quando eu tinha 16 anos, tive um sonho sobre um garoto insatisfeito com a sua vida, que recebeu um convite intrigante, capaz de trazer a transformação que esperava: a chance de fazer parte de uma sociedade secreta e avançada, que apenas se revela a seletos escolhidos. Na época, eu apenas anotei a ideia, planejando desenvolvê-la no futuro”.

Fonte: http://odia.ig.com.br/diversao/2014-04-03/sonho-adolescente-se-transforma-em-livro-os-escolhidos-de-gaia.html


O problema é que provavelmente ela não entendeu o significado. Eu também tive esse mesmo sonho no começo da adolescência quando sonhava em ser rica e famosa. Isso me serviu de alerta para o que apenas muitos anos depois eu descobri: os bastidores desse mundo da fama. Quem leia entenda!


Spoiler:



No final descobrimos que havia um clã chamado “Ogof” que era contra imigração e por isso tentavam de tudo pra dificultar a vida dos escolhidos. Com o plano descoberto e os culpados presos tudo volta ao normal.

 



Lenny Cyrus o supervírus

Autor: Joe Schreiber


O que você seria capaz de fazer para conquistar seu grande amor? A maioria das pessoas provavelmente pensaria em comprar flores ou chocolates. Uma ou outra apostaria em um jantar a dois ou numa declaração de amor escrita num papel perfumado. Mas encolher-se quanticamente a ponto de entrar na corrente sanguínea do ser amado para ter a chance de convencer os neurônios dele a se apaixonarem por você – essa ideia só poderia sair da cabeça de um gênio de 13 anos como Lenny Cyrus.

Com QI demais e traquejo social de menos, o personagem criado por Joe Schreiber é o protagonista de Lenny Cyrus, o supervírus, lançamento infanto juvenil da Globo Livros. Filho de dois vencedores do Prêmio Nobel e dotado de uma inteligência acima do normal, Lenny coloca toda sua mente para funcionar para conseguir entrar na cabeça e no coração da menina por quem é apaixonado, Zooey Andrews, uma descolada colega de escola que parece não notar sua existência. A única pessoa com quem Lenny divide seu segredo é o melhor amigo, Harlan.

Mas nem mesmo o bom senso de Harlan consegue refrear a capacidade imaginativa de Lenny, que descobre uma forma de reduzir seu tamanho ao de um vírus e de entrar no corpo de Zooey para tentar contar à menina sobre seu amor – não sem antes passar por uma incrível aventura pelo sistema circulatório da garota, fazer amizade com algumas células do seu corpo, cair na farra com seus hormônios e, finalmente, se dirigir ao cérebro com a missão de declarar seus sentimentos. Tudo, claro, sem esquecer de um importante detalhe: o garoto precisa cumprir todo seu itinerário em algumas horas, antes que seu corpo volte ao tamanho normal. Encerrado esse limite, se ele ainda estiver dentro do organismo de Zooey, será o fim de ambos.

Inspirado nos filmes Viagem Insólita (1987) e Querida, encolhi as crianças (1989), Lenny Cyrus, o supervírus conta a história alternando os pontos de vista de Zooey, Harlan e do próprio Lenny, que lidam não apenas com paixões não correspondidas, mas com ciúmes, expectativas, relacionamentos complicados com os pais e com os colegas mais valentões, e com outros de dramas típicos da adolescência.


O que dizer? A sinopse praticamente fala tudo sobre a história... A única coisa que me resta é dar minha opinião.


O começo é bem interessante, mas um pouco confuso. No meio começa a ficar um pouco chato porque o autor dá todas as descrições metabólicas do organismo e demora demais nessa parte. Já o final é muito legal e ainda consegue surpreender.


De lição o que fica é como muitas vezes os pais estão tão preocupados com seu trabalho que não ligam para os filhos, inteligência nem sempre é sinônimo de sucesso, muitas vezes pensamos que as pessoas não gostam de nós baseados em absolutamente nada, outras vezes quem achamos ser nossos amigos no fundo nos odeiam e principalmente: Saber algo não é o mesmo que conhecer. Conhecimento envolve intimidade e relacionamentos verdadeiros, sinceros e espontâneos.


Spoiler:


Desde o começo do livro vemos que Lenny tem ambição por Zoey porque tem vergonha de se aproximar achando que ela não gosta dele, mas ela age do mesmo jeito porque também pensa igual e por isso nenhum dos dois toma a iniciativa. Zoey passa mal durante o livro todo e tanto Harlan como o leitor pensamos que é por causa de Lenny que está dentro dela, mas na verdade era porque sua colega a tentou envenenar pra tomar seu lugar na peça de teatro que estava desenvolvendo. No final das contas a presença de Lenny acaba ajudando. Também fiquei muito revoltada ao ver que os pais de Lenny não se importavam nem um pouco com ele, mas apenas com seu trabalho e reputação. O pai dele chega a ficar mais revoltado com o fato do filho ter conseguido um experimento que não conseguiu do que com o perigo que isso representou.



Quantic Love

Sonia Fernández-Vidal


Laila terminou o ensino médio e, enquanto decide que carreira seguir, consegue um emprego como garçonete no CERN, um dos centros de pesquisa nucelar mais avançados do mundo. Cercada de “nerds” por todos os lados, a protagonista de Quantic Love – O romance que resolve a equação do amor vai descobrir que a ciência pode ser sexy e que o amor é a energia mais poderosa do universo. Uma das mais importantes escritoras de divulgação da ciência em língua espanhola e bestseller em seu país, Sonia Fernández-Vidal constrói uma história de amor para jovens que mostra o lado humano da ciência.


Confesso que o livro me decepcionou bastante. Em 2015 li um infantil da mesma autora chamado “A porta dos três trincos” que é simplesmente fascinante. Pensei que esse seria da mesma forma, mas não foi.


O começo é bem interessante. Laila fala sobre a sua família, o seu sonho de fazer faculdade e que o trabalho poderia ser a porta de entrada pra tudo isso. As cartas que ela escreve ao pai também são excelentes.


"Às vezes o futuro sussurra algo em nosso ouvido por um breve instante. Alguns chamam isso de premonição; outros, de intuição. Eu sei apenas que quando entrei naquele avião soube que tudo ia mudar. A Laila que deixava Sevilha com destino à Suíça não voltaria jamais."


Só que do meio para o final se torna apenas uma história totalmente mundana de sexo, drogas, vícios e relacionamentos sem compromisso. Laila se divide entre dois amores, mas sempre sabemos de qual ela gosta de verdade. O mistério em relação a Brian também não emplaca nem um pouco.


Outra coisa que me incomodou bastante foram todas as referências ocultistas. Até em Shambalah ela chega a falar. Quando ela conta do CERN que é um projeto transnacional e fala que isso é pra evitar coisas erradas é claramente uma mentira porque aquilo lá é muito sinistro, preocupante e parece do mal. Quem quiser é só pesquisar o ritual de abertura que fizeram lá que foi cheio de referências satanistas e ocultistas.


No começo do livro há um personagem que ajuda bastante e parece que será de grande importância, mas simplesmente desaparece e a coisa fica totalmente no ar...

SERIE GERACAO ACAO

Posted by aventuradeaprender on August 28, 2017 at 10:15 PM Comments comments (0)
RESENHAS DE LIVROS

Série Geração Ação: o enigma da Bíblia de Gutenberg, 7 enigmas e um tesouro, e o mistério de Cruz das Almas


Autor: Maurício Zágari



O enigma da Bíblia de Gutenberg


Um furto misterioso. Uma acusação injusta. E uma surpreendente jornada em busca da verdade.


O enigma da Bíblia de Gutenberg relata as aventuras de Daniel, um jovem cristão determinado a encontrar respostas para um crime cometido dentro de sua própria igreja. Para isso, ele terá de enfrentar altos riscos, ao mesmo tempo que aprenderá lições valiosas sobre si mesmo e sua fé.


Autor de bem-sucedidas obras sobre a vida cristã, Maurício Zágari agora nos apresenta seu talento como ficcionista nesta eletrizante narrativa, destinada a leitores de todas as idades que apreciam uma história envolvente e inesquecível.


Preparado?


Já tinha ouvido falar dessa série há muitos anos através de um blog de ficção cristã, mas apenas nesse ano tive oportunidade de comprar. Não sei se já falei por aqui da minha dificuldade em resenhar séries, mas mesmo assim vou tentar.


Os livros podem ser lidos de forma independente, mas é melhor seguir a ordem porque os posteriores fazem referência aos anteriores.


Nesse primeiro livro da série somos apresentados ao jovem Daniel, seus amigos e sua igreja. Só é um pouco confuso porque o prólogo do livro na verdade é o final e por isso no começo não dá pra entender muito bem.


A igreja está em polvorosa porque eles vão receber a visita do missionário Cláudio dos EUA com um raríssimo exemplar da Bíblia de Gutenberg. O problema é que quando começaria a exposição no culto descobriram que ela simplesmente foi roubada. A partir daí é uma tremenda confusão e a investigação começa. Pra piorar, o ladrão parece conhecer de Bíblia porque monta charadas baseadas em versículos e isso irrita a todos porque o criminoso estava usando as escrituras sagradas de forma leviana.


Daniel resolve investigar por conta própria e tem dois suspeitos: o zelador Sebastião que trabalha na igreja, mas todos suspeitam que não seja convertido porque não participa dos cultos; e Ricardo que mora na favela, era envolvido com o tráfico e vive fazendo perguntas sobre tudo o tempo todo. Seguindo esses suspeitos o jovem Daniel se envolve em todo tipo de confusão, mas o pior ainda está por vir: por investigar ele acaba se tornando o principal suspeito do crime pelo exímio conhecimento bíblico.


Esse é o tipo de leitura fácil, mas ao mesmo tempo super edificante porque nos convida a tentar decifrar o enigma junto com os participantes. Confesso que pela minha experiência em literatura e filmes de suspense eu já estava desconfiando de alguma coisa, mas mesmo assim o autor conseguiu me surpreender porque o principal eu não descobri até chegar ao final.


Um ponto que achei super positivo é o autor retratar Daniel e os outros cristãos como humanos passíveis de erros e pecados. Confesso que em muitos livros e filmes cristãos as pessoas são mostradas como sendo tão perfeitas que chegam a irritar. Essa característica está presente em todos os livros da série. Além disso, cada capítulo começa com uma citação bíblica e ao longo do texto também é cheio de referências e princípios bíblicos e cristãos.


“Aprendi a não julgar pela aparência. A não julgar pelo passado. A valorizar cada minuto de convívio com aqueles que nos amam. A viver exclusivamente pela Verdade. A jamais fazer algo ilegal. A saber pedir perdão quando for necessário. E que, com Jesus, o crime realmente não compensa”.


Spoiler:


Foi uma grande surpresa o mistério ter sido solucionado por causa das versões bíblicas diferentes. Eu tenho certo conhecimento bíblico, mas não saberia identificar algo assim jamais! Desde o começo sabia que Sebastião e Ricardo não tinham nada a ver com o crime, , mas cheguei a desconfiar até de Marcos (amigo de Daniel). Também achava algo esquisito na história de “Cláudio” porque sei que a imprensa foi inventada pouco tempo antes da reforma protestante que foi no começo do século 16 e nunca no século 14. Entretanto, não tinha conseguido montar todo o quebra cabeça. Fiquei muito curiosa esperando a reação de Sebastião ao saber que Daniel invadiu sua casa, mas isso não aconteceu rsss




7 enigmas e um tesouro


Neste segundo livro da coleção, o jovem cristão brasileiro Daniel se vê diante de uma situação de vida ou morte. Após encarar O Enigma da Bíblia de Gutenberg, ele tem que correr contra o tempo e desvendar sete enigmas bíblicos para salvar a vida de seu amigo Marcos, que está em perigo.

Nessa jornada, Daniel tem a sua fé posta à prova ao se envolver com uma linda jovem cheia de segundas intenções. Como não sucumbir a tão grande tentação? E a pergunta maior: como se manter fiel a Cristo a cada passo dessa jornada? As respostas estão no eletrizante thriller espiritual 7 Enigmas e um Tesouro.


O enredo do segundo livro da série é mais simples, mas nem por isso menos intenso.


A igreja de Daniel faz uma gincana com os jovens todos os anos. Nessa gincana, Marcos cria alguns enigmas e espalha em diversos pontos da cidade. Só que dessa vez houve um problema... Quando ele colocou o 7° enigma sofreu um acidente e ligou pra igreja, mas não teve tempo de avisar onde estava. Agora só havia uma solução: Daniel teria que desvendar sozinho os 7 enigmas até encontrar onde o amigo estava porque o pastor cancelou a gincana e havia mandado a polícia cuidar do caso.


Pra piorar a situação, Valéria (uma ex colega de escola de Daniel que não é cristã e vivia tentando paquerá-lo) aparece na igreja e reresolve acompanhar a caçada. Daniel fica sem ação porque no fundo se sente atraído por ela e aceita a companhia. Ela até tenta ajudar (será?), mas só atrapalha.


“Ficar é entregar algo que diz tanto para quem não quer ouvir o que ele tem a dizer. E, assim, nosso beijo fica mudo. E depois? Depois volta-se a uma vida afetiva oca. E os beijos dados sem compromisso são varridos pelos ventos da insignificância: não representaram nada”


Esse livro apesar de parecer mais simples em alguns pontos é mais profundo porque mostra claramente que nós temos grandes quedas a partir de erros que parecem pequenos e muitas vezes deixamos para lá. Outros pontos abordados é que muitas vezes precisamos fazer renuncias pra cumprir a Vontade de Deus, que quase sempre servir a Deus não nos trará nenhum reconhecimento, que o sofrimento faz parte da nossa vida cristã e principalmente que dependemos de Deus pra tudo, até mesmo pra obedecê-Lo.


“Você está cometendo o mesmo erro que muitas pessoas cometem quando leem as Escrituras: em vez de buscar a simplicidade, em vez de perceber que em muitas passagens o que a Bíblia diz é exatamente o que ela diz, ficam buscando milhares de interpretações teológicas, exegéticas e hermenêuticas. Por exemplo: quando Jesus diz ‘amai-vos’ não está fazendo um profundo tratado teológico. O que Ele está dizendo é... Amai-vos”.


Sei que muita gente vai quase me “matar” por causa disso, mas esse livro me fez gostar muito mais do Marcos do que do próprio Daniel (e isso porque no primeiro livro não gostei nada dele, então isso meio que foi um tapa na cara pra mim). Os enigmas são tão bem bolados que mesmo tendo algum conhecimento de Bíblia não consegui resolver quase nada. Além disso, fiquei super curiosa pra saber qual era o tesouro, mas entendi que o autor quis mostrar que o maior tesouro é a amizade.


Os únicos pontos negativos é que eu senti muita falta dos personagens do livro anterior e a definição dada pelo autor de arminianismo não está tão certa (mas não faz a menor diferença pra história e por essa razão não vou explicar. Talvez quando eu resenhar algo diretamente sobre isso...).


Spoiler:


Quando Daniel tentou conversar com Valéria e ela o insultou ficou muito claro que ela não gostava dele e apenas queria usá-lo pra satisfazer a si mesma. Essa parte foi fantástica. Também foi impactante demais quando Daniel finalmente entendeu que a vida do Marcos não dependia dele (como ele ficou repetindo o livro inteiro), mas unicamente de Deus porque tudo é pela Graça.



O mistério de Cruz das Almas


Neste terceiro livro da coleção, ao realizar um trabalho missionário, o jovem Daniel terá de enfrentar misticismo, bruxaria e criaturas das trevas! Com a ajuda de novos amigos, Daniel arriscará sua vida numa jornada sombria e perigosa que testará a sua fé.


Como levar o evangelho a um povo que vive à sombra do seu próprio medo? Como enfrentar as forças do mal? E a pergunta maior: como se manter fiel a Cristo a cada passo dessa jornada? As respostas estão no eletrizante thriller espiritual O Mistério de Cruz das Almas.


Se o primeiro e o segundo livro da série já me surpreenderam o terceiro conseguiu a proeza de surpreender ainda mais principalmente por tratar de um tema que tenho certa experiência (ocultismo, sociedades secretas e conspiração). Entretanto, acredito que será o que terei maior dificuldade em resenhar.


O pastor de Daniel o enviou em uma viagem missionária pra liderar dois irmãos: Carlos e Binho que tinham chamado pastoral e estavam estudando teologia. Carlos era mais introspectivo e intercessor; Binho era mais agitado e ativo e os dois se completavam na Obra de Deus.


A missão deles era ajudar o pastor Eliseu a fazer evangelismo em uma igreja de uma cidade do interior nordestino chamada “Cruz das Almas” conhecida pela sua pobreza, misticismo e superstição. Entretanto, as coisas não seriam nada fáceis porque a cidade passou a ser vítima de ataques de vampiros e de todo tipo de coisa estranha.


Paralelamente a isso, Daniel faz amizade com o misterioso Malak e somos apresentados à jovem Nina que também é amiga dele. O autor deixa claro o tempo todo durante a narrativa que todos têm certa ligação, mas não entendemos nada até ao final do livro e as surpresas são grandes.


Além disso, Daniel começa a ser assediado por uma sociedade secreta que diz fazer o bem independentemente de religião usando poderes ocultos. Quem lidera é uma bruxa “do bem” chamada Catarina e seu discípulo adolescente chamado Henrique que tenta fazer amizade com Daniel.


“Nossa gente está em toda parte. E sempre buscamos pessoas com grande potencial como você para unir-se a nós. Temos muito a oferecer a você. Aliás... você acha que foi Deus quem o trouxe a Cruz das Almas? – lançou um olhar enigmático – Não foi não. Fomos nós! Deus não tem nenhum plano especial para você aqui”.


Não posso falar mais nada sem dar spoiler, mas posso dizer que quando eu pensava que estava entendendo tudo, o livro deu uma grande reviravolta. A grande sacada do autor é fazer todos pensarmos uma ligação que não existe e ao mesmo tempo desconsiderarmos as verdadeiras conexões.


“Ele percebeu então que há uma grande diferença entre ser provado ou disciplinado pelo Senhor e ser abandonado”


Um ponto que senti bastante falta nesse terceiro livro da série é a falta de marcadores temporais, mas no final entendi que isso foi exatamente pra que a história pudesse surpreender. Espero ansiosamente pelo quarto livro que parece que vai totalmente para o lado que já tenho experiência e com certeza devo me identificar bastante.


Spoiler:


O melhor de todos os livros e o que mais me surpreendeu por causa das semelhanças do que já aconteceu comigo. Quando vi Catarina e Henrique “adivinhando” coisas sobre Daniel não pude deixar de voltar nas minhas dramáticas experiências. Eu pensei o livro todo que a sociedade secreta estava envolvida com os vampiros, mas no final não tinha nenhuma ligação porque tudo não passava de farsa pra encobrir tráfico de animais silvestres. Eu cheguei a cogitar até mesmo a possibilidade de Malak ser alguma espécie de ex ocultista ou algo semelhante... Nunca nem passou pela minha cabeça que Nina era cega nem que Malak fosse literalmente um anjo! Outra surpresa daquelas foi Lucio não ser uma vítima, mas o chefe de todo o esquema. E não posso deixar de falar do emocionante evangelismo que Daniel fez com Reginaldo ao final do livro. Esse é o melhor resultado de toda e qualquer batalha espiritual! Aleluia!

RECONSIDERANDO A VONTADE DE DEUS

Posted by aventuradeaprender on August 15, 2017 at 9:35 PM Comments comments (0)
RESENHA DE LIVRO



Reconsiderando a Vontade de Deus

Autor: Frank Viola


Qual é a vontade perfeita de Deus para a sua vida?

Imagine um pátio de estacionamento público, por favor! Observe que um pátio de estacionamento tem limites. Pelos limites ficamos sabendo onde o pátio começa e onde ele termina. Sabemos o que está dentro e fora dele.


A beleza do pátio de estacionamento é a liberdade que ele apresenta. Há muitas escolhas dentro dele. Os motoristas podem escolher livremente entre as muitas vagas para estacionar. Desde que uma vaga de estacionamento não esteja ocupada, nem reservada para pessoas especiais, os motoristas podem escolher livremente em qual vaga desejam estacionar o seu carro.


Certamente, algumas escolhas podem ser mais sábias do que outras. Se estiver chovendo, provavelmente será mais sábio e mais vantajoso estacionar em uma vaga que esteja perto do edifício, do que naquela que está distante dele. Por outro lado, muitas vagas de estacionamento são igualmente apropriadas. Uma não é melhor do que a outra.


Quero investigar o tema da vontade de Deus um pouco mais fundo considerando bem o primeiro mandamento que Deus deu ao homem. Essa foi a primeira vez que Deus revelou a Sua vontade a um ser humano. E creio que ela está cheia de discernimento.


Desde quando comecei com o site em 2008 eu apenas fiz resenhas de livros e filmes com conteúdo correto e edificante. Evitei ao máximo o que não trouxe edificação ou o que ensina engano, mas entendo que hoje talvez já tenha maturidade para resenhar o que não recomendo em hipótese alguma ou por ser perda de tempo ou herético mesmo.


Eu não queria esse livro. Fiz uma compra em uma livraria virtual e ao invés de um dos que pedi mandaram esse. Reclamei e me mandaram o que estava faltando, mas não aceitaram devolução. Então resolvi ler... Confesso que li muitas coisas nesse livro que me deu arrepios de tão absurdas, mas no final não foi tão ruim assim. A leitura é bem agradável, mas perigosa.


O autor conta a história hipotética de um rapaz que na tentativa de descobrir a Vontade de Deus perdeu duas ótimas oportunidades (uma de casamento e outra de emprego) e se frustrou com isso até que ouviu uma pregação em um rádio. Pregação essa que seria o conteúdo do livro.


Ele explica que Deus não tem uma vontade específica pra cada pessoa como muitos ensinam. Logicamente esse é um absurdo porque Deus tem sim. A Bíblia é clara de que seremos julgados para galardão pelo quanto dela cumprirmos em vida.


Depois faz uma comparação ridícula de que a Vontade de Deus não é uma linha de trem fixa, mas um pátio de estacionamento em que podemos escolher qualquer vaga e tudo isso será absolutamente válido. E ainda por cima chega a dizer que buscar a Vontade de Deus específica nos faz ser imaturos e que Ele quer nos ensinar a ser independentes. Que absurdo! Se assim fosse Jesus não nos mandaria ser como crianças, cuja principal característica é a inocência e dependência.


O autor chega a fazer certa distinção entre vontade soberana (permissiva) e vontade moral de Deus. É assim: Deus mostra Sua Vontade moral, mas secretamente quer que as pessoas desobedeçam. Entendeu? Nem eu! Isso só existe no calvinismo e no antigo paganismo! A ideia é que tudo o que já aconteceu na história ou já fizemos seria a Vontade Soberana (ou oculta) de Deus, e Vontade moral ou revelada é aquilo Deus quer, mas nos impede de realizar.


“Como você pode conhecer a Vontade Soberana de Deus? Você pode conhecer apenas parte dela se Ele sobrenaturalmente as revelar. Caso contrário, leia um livro de história. Se o livro for exato, você acaba de descobrir a vontade soberana de Deus no passado”.


A doutrina calvinista pelo menos é mais coerente. Segundo essa doutrina não existe vontade permissiva (que a grosso modo é o que Deus permite e não impede por causa do livre arbítrio. Não tem nada a ver com decreto soberano como o autor diz). O calvinismo entende que existe a vontade decretiva ou Soberana (o que Deus secretamente quer) e a vontade preceptiva ou moral (o que Ele nos ordena). Seguramente é isso o que o autor do livro quis ensinar, mas até nisso se confundiu e fez a maior salada mista.


O autor, assim como o calvinismo, a grosso modo quer dizer que não precisamos nos preocupar em cumprir o Plano de Deus porque se não cumprirmos é porque Deus decretou que não fosse cumprido. Loucura total e extremamente perigoso! Muitos calvinistas pelo menos negam as últimas consequências de seu sistema teológico e não agem desse jeito. Ele deveria pelo menos meditar nesse trecho das escrituras:



“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo”. 1 Coríntios 3:10-15


Só que mais pra frente começa a melhorar um pouco porque o autor diz que decisões fora da Vontade moral de Deus estão fora do pátio de estacionamento e por isso são inválidas, e que a maneira de descobrir a Vontade moral é pelas escrituras e o testemunho interior do Espírito Santo. Isso está correto.


Depois explica que as decisões não morais devem ser tomadas orando diligentemente por sabedoria. Isso também está certo porque é assim mesmo que podemos confiar que Deus guiará nossas decisões no Plano que Ele tem pra cada um de nós. As críticas que o autor faz em relação à sempre esperar por sonhos, profecias, visões... É totalmente válida porque mesmo Deus tendo a Vontade específica (o que ele nega) nós seremos guiados a ela aceitando o constante trabalhar do Espírito Santo sem resistir à Graça de Deus.


“Como alguém adquire sabedoria para tomar uma decisão não moral? Um caminho é simplesmente consultar o Senhor a respeito dela. Isso não significa que Ele vai dar a você uma espécie de revelação, sinal, ou impressão sobrenatural. A sabedoria envolve o discernimento, envolve o julgamento saudável”.


O capítulo final é excelente onde ele explica a diferença entre o cristão de mente fraca, o de mente forte e o legalista. O de mente fraca não tem conhecimento e acredita que tudo é pecado; o de mente forte por ser mais maduro consegue não ofender a consciência com coisas básicas; já o legalista criou um padrão de moralidade pra si mesmo e quer obrigar todos a seguir dizendo ser o único correto. Gostei muito porque ano passado (2016) estudamos isso na escola bíblica aqui da igreja.


“Há muitas coisas que não são pecaminosas, mas também não são espirituais. Moralmente falando, são neutras aos olhos de Deus”.


Quanto a historia da linha do trem e do pátio de estacionamento creio que a Vontade de Deus está mais para um labirinto ou uma escada. Há o caminho direto e perfeito, mas se desviarmos dele ainda há volta. Com a orientação do Espírito Santo podemos retornar e se houver boa disposição, de uma forma ou de outra, o que Deus começou será completado.

O CRISTAO ATEU

Posted by aventuradeaprender on August 9, 2017 at 9:40 PM Comments comments (0)

RESENHA DE LIVRO




O cristão ateu – Crendo em Deus, mas vivendo como se Ele não existisse (lido em 2017)

Autor: Craig Groeschel



Os cristãos ateus estão por toda parte. Frequentam igrejas católicas, batistas, pentecostais, não denominacionais, entre outras. Frequentam grandes seminários, as melhores universidades e faculdades. Há de todas as idades, raças e profissões — alguns até leem a Bíblia todos os dias.

Nas igrejas, sempre se fala de cristãos e não cristãos, mas nunca ninguém comenta sobre quem está no meio-termo. A maioria dos homens e mulheres parece se encaixar nesse grupo intermediário dos que creem em Deus, mas vive como se Ele não estivesse por perto, não se importasse ou não tivesse importância.

Em O cristão ateu, o pastor Craig Groeschel se volta diretamente para esse público, expondo as próprias dúvidas e receios, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para centenas de discussões fundamentais sobre quem é Deus e como Ele age.

Este livro foi escrito para todo aquele corajoso o bastante para admitir a própria hipocrisia. Liberte-se da hipocrisia e leve uma vida que de fato glorifique a Cristo.



O autor começa o livro contando sobre duas conversas que teve em uma viagem recente de avião. No primeiro voo, ele conversou com um ateu típico que não acredita em Deus; no segundo conversou com uma jovem que se dizia cristã, mas sabia que não vivia como deveria viver. Por essa razão, Craig Groeschel formulou a expressão “cristão ateu” e decidiu escrever para ajudar outros a lidar com a hipocrisia assim como ele tem aprendido a lidar com a sua.



Apesar de o título ser incomum, e no mínimo provocativo a leitura é bem agradável. Ele conta vários testemunhos. Alguns alegres, outros tristes, uns engraçados... Mas todos super edificantes. Ficou claro que ele não estava falando apenas do que leu, estudou ou ouviu dizer e sim do que realmente vive.



Não vou contar nenhum dos testemunhos para não estragar as surpresas de quem ainda quer ler. Entretanto, postarei os títulos dos capítulos que por si só já nos confrontam:



Um cristão ateu em recuperação

Quando você crê em Deus, mas não O conhece de verdade.

Quando você crê em Deus, mas tem vergonha do seu passado.

Quando você crê em Deus, mas não tem certeza de que Ele o ama.

Quando você crê em Deus, mas não na oração.

Quando você crê em Deus, mas não O considera justo.

Quando você acredita em Deus, mas se recusa a perdoar.

Quando você acredita em Deus, mas não se acha capaz de mudar.

Quando você acredita em Deus, mas ainda vive o tempo todo preocupado.

Quando você acredita em Deus, mas busca a felicidade a qualquer preço.

Quando você crê em Deus, mas confia mais no dinheiro.

Quando você crê em Deus, mas não compartilha sua fé

Quando você crê em Deus, mas não na igreja d’Ele

Fé para a terceira linha



“Crer em Cristo o suficiente para se beneficiar d’Ele é, na melhor das hipóteses um cristianismo raso. Na pior, religião vazia, enganadora, que leva muitos pelo caminho largo rumo à destruição eterna. Dê um passo além da primeira linha, mas não pare aí.

A segunda linha transmitirá uma sensação muito melhor que a primeira. Crer em Cristo o suficiente para contribuir sem ser incomodado pode dar a impressão de estar certo, mas até isso é um cristianismo centrado no humano. Siga em frente.

Veja a terceira linha. Pergunte-se o que o separa de uma vida inteiramente entregue, cheia do Espírito, dirigida para o Reino. Pese suas opções. A vida como ela é... Ou a vida como poderia ser.

GUIA DE VIAGEM: PARAISO

Posted by aventuradeaprender on July 30, 2017 at 9:20 PM Comments comments (0)
RESENHA DE LIVRO


Guia de viagem: Paraíso (lido em 2017)

Autor: Anthony Destafano


 

Embora todos nós, mais cedo ou mais tarde, tenhamos que arrumar as malas, dar adeus e fazer essa viagem, preferimos não pensar nela - a não ser quando alguém que amamos vai embora. Pudera. Como não bastasse o fato de que até hoje ninguém voltou para contar como é, tudo o que já foi dito e escrito sobre o tema é por demais etéreo. Tudo bem, já sabemos que o paraíso é o céu, mas, e os detalhes?! Trata-se de um lugar real e físico, repleto de paz e silêncio ou há também atividades prazerosas? Seremos capazes de sentir os aromas, ouvir sons e admirar as paisagens? Teremos forma, memória, consciência? Vamos reencontrar aqueles que perdemos? Usando a própria Bíblia como fonte de referência e inspiração, Anthony DeStefano nos oferece uma prévia deliciosa de um lugar feito de beleza, entusiasmo, desafio e deleite. Um lugar maravilhoso como um pôr do sol na praia, empolgante como um filme de Chaplin, surpreendente como uma expedição à Antártida. Este guia de viagem ao paraíso é como uma excursão inesquecível, que nos conduz a uma terra de conto de fadas, onde um dia nos encontraremos de novo para desfrutar férias que nunca terminam.



Eu já tinha visto esse livro na livraria há uns 10 anos atrás e até lido alguns trechos. Gostei bastante, mas na época não podia comprar. Então me lembrei dele recentemente e resolvi procurar novamente.



Gostei muito da leitura. O autor explica algumas partes da Bíblia sobre o paraíso e contrapõe com os ensinamentos espíritas e da nova era dizendo que os do cristianismo são infinitamente melhores e mais animadores.



“No caso do paraíso, as ‘notícias velhas’ do cristianismo tradicional são infinitamente mais empolgantes, interessantes, espiritualmente elevadoras e divertidas do que qualquer coisa explicada por médiuns televisivos ou gurus da nova era. Você sabe onde pode encontrar as descrições mais exatas do paraíso? Na seção de religião para crianças em uma livraria.”



Ele deixa claro que está falando do paraíso de após o juízo final e apenas cita o estado intermediário sem dar muitos detalhes dizendo que ninguém tem certeza exatamente de como é além de que as pessoas tem alguma consciência, mas não desfrutam de tudo ainda porque não aconteceu a ressurreição.



Algumas coisas que o autor diz são logicamente especulações e ele deixa claro que será infinitamente melhor do que tudo o que possamos pensar ou imaginar Ele explica que é um lugar material habitado por pessoas reais e não um mero estado psicológico ou etéreo.



O autor não entra em detalhes sobre como ser um bom cristão, mas enfatiza que precisamos desenvolver aqui na terra um relacionamento pessoal com Deus através de Jesus Cristo. Explica também que se alguém realmente quer ter a salvação será guiado por Deus de todas as formas e tudo o que é preciso ser feito é não resistir a Ele.



“A coisa mais importante para rejeitar é a noção de que você é sua passagem para o paraíso. Como diz o ditado, existem duas lições importantes para aprender na vida: Deus existe e eu não sou Ele. Infelizmente, um número cada vez maior de pessoas está esquecendo isso. Ao nos estabelecermos como árbitros de moralidade, nós, enquanto uma sociedade, retornamos ao Jardim do Éden, decidindo o que é certo e o que é errado, e fingindo ser Deus. A chave para tudo é que Deus deve ser o Soberano da sua vida. Convidá-Lo para o seu coração, e depois deixá-Lo infundir cada área da sua vida, é o seu passaporte para a alegria tanto na terra quanto no paraíso. ... Depois que isso acontece todo o resto se encaixa”



Enfim... É o tipo de livro que não dá pra explicar muito, mas a leitura vale muito a pena apesar de não ser um tratado teológico.

A MENINA QUE NAO SABIA LER

Posted by aventuradeaprender on May 4, 2017 at 10:30 PM Comments comments (0)
RESENHA DE LIVRO



A menina que não sabia ler (lido em 2017)

Autor: John Harding



1891. Nova Inglaterra. Em uma distante e escura mansão, onde nada é o que parece, a pequena Florence é negligenciada pelo seu tutor e tio. Guardada como um brinquedo, a menina passa seus dias perambulando pelos corredores e inventando histórias que conta a si mesma, em uma rotina tediosa e desinteressante. Até que um dia Florence encontra a biblioteca proibida da mansão. E passa a devorar os livros em segredo. Mas existem mistérios naquela casa que jamais deveriam ser revelados. Quem eram seus pais? Por que Florence sonha sempre com uma misteriosa mulher ameaçando Giles, seu irmão caçula? O que esconde a Srta. Taylor? E por que o tio a proibiu de ler? Florence precisa reunir todas as pistas possíveis e encontrar respostas que ajudem a defender seu irmão e preservar sua paixão secreta pelos livros - únicos companheiros e confidentes - antes que alguém descubra quem ousou abrir as portas do mundo literário. Ou será que tudo isso não seria somente delírios de uma jovem com muita imaginação?



Quem narra a história é uma criança de 12 anos chamada Florence. Ela conta que a mãe morreu no parto, e o pai e a madrasta (mãe de seu irmão mais novo, Giles) desapareceram em um acidente. Desde então eles moram na casa do tio que nunca viram e são cuidados apenas pelos empregados. Ela é proibida de aprender a ler porque segundo conseguiu descobrir uma ex-mulher do tio o deixou quando se tornou instruída e ele ficou traumatizado passando a ser contra a educação de mulheres.



Só que quando Florence descobriu a biblioteca fechada da casa ficou fascinada e aprendeu a ler sozinha. Depois ela conta que achou um álbum de família com a mãe de Giles com o rosto recortado e com o pai deles que parece demais com o tio e entende que são gêmeos. Florence e Giles são inseparáveis até que o irmão caçula precisa ser mandado para a escola em regime interno e ela fica triste por estar sozinha e muito preocupada com ele. Então ela recebe a visita de Theo, seu vizinho que tem asma, e é apaixonado por ela. No começo ela não gosta porque muda sua rotina e diminuí bastante o seu tempo de leitura, mas ao longo do livro formam uma boa amizade.



Quando Giles é expulso da escola o tio decide que ele deverá ser educado em casa. Logo chega uma preceptora que morre em um passeio no lago, mas Florence não conta quase nada sobre isso. A partir daí a história começa a ficar estranha porque chega uma nova preceptora chamada senhorita Taylor e ela sente medo porque entende que a moça não é quem diz ser. Ao juntar evidências descobre que a mulher quer fazer mal ao irmão dela, mas não sabe o que. Ao mesmo tempo em que é seguida por ela pelos espelhos da casa e percebe que ela tem poderes especiais entende que é um fantasma que quer sequestrar o irmão e tudo piora ainda mais quando Florence acha duas passagens de trem pra Europa.



Então começa a formular um plano pra impedir isso. Chega a contatar até mesmo o policial responsável pelas investigações da morte da outra preceptora que ao investigar a tal Taylor descobre que ela realmente não tem referências e sempre procurou emprego naquela casa. Com a ajuda de Theo ela formula um plano que não sabemos qual é.



Pode até parecer que estou contando muito e dando spoilers, mas tudo isso acontece nos primeiros capítulos do livro. Agora vou fazer apenas mais alguns comentários. Aprendi com Agatha Christie que nunca devemos confiar em um narrador-personagem porque ele sempre conta a história do seu ponto de vista. No caso desse livro quem conta é Florence e ela conta do jeito dela que ao longo da história se mostra não ser confiável. Cuidado! Estou avisando...



Sempre quando leio ou vejo um filme gosto de pesquisar para confirmar minhas impressões ou entender algo que não entendi (acho que já falei isso aqui). No caso desse livro não foi diferente e minhas piores suspeitas foram totalmente confirmadas. Vi muitos comentando até mesmo que o nome do livro “A menina que não sabia ler” não faz sentido, mas faz. Significa que ninguém acreditaria no que ela é capaz já que pra todos é apenas uma menina que nem sabe ler.



Nas minhas pesquisas também descobri que esse livro é baseado em “A volta do parafuso” de Henry James do século XIX. Então esqueça uma literatura infanto-juvenil. Trata-se de uma história de terror no estilo Edgar Alan Poe, Stephen King e outros do gênero. Apesar de ler esperando um infanto-juvenil não posso dizer que não gostei porque gosto de ser surpreendida.



Spoiler:



Florence deixa Theo morrer, dopa Giles e ainda por cima joga a senhorita Taylor dentro do poço. Depois faz tudo pra encobrir o que fez. Já suspeitava, mas pesquisando comprovei de que Florence na verdade era totalmente psicopata, o tio era o pai deles e a senhorita Taylor a mãe do irmão caçula. Ela era obcecada pelo menino que queria só pra ela e por isso fantasiou todos os aspectos de perseguição sobrenatural. Fica claro também que ela matou a primeira preceptora e isso explica o porquê praticamente nada é narrado sobre ela. Realmente me enganou direitinho e o título do livro quer dizer que ninguém suspeitaria dela já que era apenas uma garotinha órfã e inocente que todos achavam que não sabia nem ler.

ZUMBI GOSPEL

Posted by aventuradeaprender on April 17, 2017 at 9:05 PM Comments comments (0)

RESENHA DE LIVRO



Zumbi gospel (lido em 2017)

Autor: Thiago Marques


O cristianismo brasileiro vive a "onda gospel". Fazemos de tudo desde que a palavra gospel esteja envolvida, então vieram: Música Gospel, Moda Gospel, Teatro Gospel, Cinema Gospel, Stand Up Gospel, Balada Gospel e por aí vai. Este livro irá mostrar mais uma das faces deste mundo gospel, o zumbi, que habita em nossas igrejas morto para as coisas de Deus e vivo para as coisas do Mundo!

Baseado na parábola do filho pródigo, o livro traz a história real de dois jovens que vagaram como zumbis dentro da nossa igreja, sem que ninguém descobrisse que por trás da cara de santidade havia um interior podre. Com absoluta certeza, essa história também pode estar acontecendo na sua igreja, com um amigo, com um filho ou com você! Os segredos aqui revelados irão ajudar adolescentes, jovens, pais e pastores a ressuscitar estes zumbis. Nós temos o antídoto e muito mais. Com certeza você irá se surpreender.



Eu ouvi falar desse livro através de uma irmã da igreja em uma lição da célula sobre o filho pródigo. Achei interessante e peguei emprestado para ler.



Pelo título pensei fazer referência à igreja de Sardes do Apocalipse (período chamado Renascimento ou reforma) porque lá a descrição feita por Cristo é literalmente de mortos-vivos (zumbis). Entretanto, essa passagem nem é citada porque é um livro bem adolescente mesmo.



“O zumbi gospel é aquele crente que se veste e fala como crente, conhece a Bíblia, vai à Igreja, mas está morto por dentro.”



O livro é curto, mas bem interessante. O autor (Thiago) faz uma pequena introdução sobre ele e um amigo (que ele chama de Fabinho). Ele nunca saiu da igreja, mas seu amigo se envolveu com um namoro virtual e abandonou a congregação.



Então explica que um zumbi gospel é a pessoa que está na igreja fingindo ser crente, mas vivendo como mundano e que muitas vezes são piores do que aqueles que realmente saem porque esses pelo menos todos sabem que estão desviados e o zumbi consegue enganar.



Depois dá o exemplo da parábola do filho pródigo e que ambos eram perdidos. O filho caçula saiu de casa porque queria ser mundano e o mais velho ficou. Entretanto, no fundo parecia invejar o irmão que teve coragem de sair porque também não tinha prazer na companhia do pai.



Há alguns capítulos com orientações para os pais vigiarem o que os filhos fazem às escondidas porque podem ser zumbis. Chega a dizer até que a maioria dos adolescentes e jovens que trabalham ajudando na igreja só fazem isso como desculpa pra matarem cultos e não ouvirem pregações. Espero que isso não seja verdade e sim apenas alguns casos isolados...



No meio do livro ele conta a própria história de forma completa. Diz que foi criado na igreja, mas nunca teve um compromisso com Deus. Apenas fingia que era cristão e desde a infância pecava escondido, mas fingia saber tudo da Bíblia e trabalhar na igreja só pra impressionar. Na adolescência e juventude ficou pior porque se envolveu até o pescoço com pornografia junto com os colegas e também virtualmente. Até que arrumou uma namorada que acabou se convertendo de verdade e por amor a ela decidiu mudar em um retiro da igreja. Eles se casaram e hoje ele trabalha com adolescentes na mesma situação.



Depois conta parte da história do Fabinho que realmente saiu da igreja, mas morreu com um câncer terminal dias depois de ter se reconciliado com Cristo através do autor do livro. Da história dele logicamente não são dados muitos detalhes...



No final há um capítulo com uma oração por aqueles que por traumas de família não reconhecem a Deus como Pai.


 

Não pude deixar de me identificar um pouco porque também fiquei meio assim. Mesmo não tendo caído em pecados desse tipo nem me fingido de cristã. Só que buscava aprender tudo de Bíblia apenas para impressionar os outros e, além disso, gostava apenas das pregações expositivas (corria de vigílias e pregações temáticas narrativas) para saber da Bíblia sem precisar ler nada. Triste época... Mas eu tenho consciência que era cristã de verdade e apenas tive uma recaída. Só que o autor do livro deixa claro que desde criança fingia.

SOFRIMENTO: SUAS SETE CAUSAS

Posted by aventuradeaprender on April 12, 2017 at 10:15 PM Comments comments (0)

RESENHA DE LIVRO


Sofrimento: suas sete causas (lido em 2017)

Autor: Delcio Meireles



Quantos de nós já não nos indagamos algum dia: "Por que sofremos? E Deus Quem envia o sofrimento? Ou será que o adversário é o autor de todo e qualquer sofrimento?" Entre os assuntos mais complexos que enfrentamos nesta vida, o sofrimento é um dos mais misteriosos e que menos entendemos. E, certamente, inúmeros problemas seriam evitados se conhecêssemos suas causas.



Eu comprei os livros do irmão Delcio Meireles através do perfil “Edições Ruiós” no facebook. Esse livro não fazia parte do catálogo da editora porque está esgotado. Entretanto, Deus me presenteou com ele em um saldão de uma loja aqui da minha cidade.


 

O autor explica que os descrentes e até mesmo alguns cristãos sem discernimento tentam explicar o sofrimento através do ateísmo (Deus não existe), fatalismo (acontece porque tem que acontecer/ Deus é a causa do problema) e dualismo (o bem e o mal brigam de forma igualitária sem possibilidade de saber quem vai vencer). Logicamente essas teorias falham porque são humanas e não tem nenhuma base bíblica.



Esse é o tipo de livro que de tão tremendo dá vontade de copiar tudo. O irmão Delcio faz uma análise do que considera as sete causas de sofrimento na vida de cristãos e não cristãos a partir dos exemplos bíblicos. São eles:



1 – O sofrimento orgânico e hereditário

2 – O sofrimento penal e judicial

3 – O sofrimento voluntário e vicário

4 – O sofrimento permissivo e justificativo

5 – O sofrimento corretivo e disciplinar

6 – O sofrimento educativo e preparatório

7 – O sofrimento demoníaco e opressivo


 

Algumas frases:



“A mesma lei que opera o bem quando obedecida, opera o mal quando invertida.”


“Aquele que pratica o mal sofre os danos da penalidade como forma de retribuição.”


“Os atos devem ser praticados primeiro para depois serem retribuídos, e os planos mais amplos de retribuição devem acontecer na vida além.”


“As penalidades eternas são abolidas, enquanto que as temporais permanecem.”

 

“Todos os que almejam maior comunhão com Deus e serviço mais amplo aos homens, devem passar por esse tipo de sofrimento.”

 

“Aceitar voluntariamente a cruz é o caminho para se obter a coroa”


“Madeira, fogo e palha não resistem ao fogo do julgamento divino.”


“Todo filho de Deus pode se esquivar do serviço e não perder a dádiva da salvação, mas o galardão pelo serviço será perdido.”


“Não somos movidos por nossa segurança, mas por nosso desejo de dar frutos. Isso envolve auto-negação.”


“Os filhos de Deus podem passar por provas cujas causas eles desconhecem totalmente. Esse tipo de sofrimento tem como alvo provar ao inimigo que o Senhor pode ser amado, adorado e servido por Seus filhos, ainda que Ele seja o único bem que possuam.”


“Jó não sofreu por seu pecado; ele pecou por ter sofrido.”


“Pensamos que somos ou possuímos algo, até que na Luz de Deus nós vemos que, na verdade, nada somos.”


“Nas trevas mais profundas da noite sem estrelas é que os homens aprendem como segurar na Mão oculta mais firmemente e como está mesma Mão os segura.”


“O Senhor vê o que não vemos e conhece a estrada que devemos seguir e que nos conduzirá ao centro da Sua Vontade que é boa, agradável e perfeita!”


“O Espírito Santo atua na consciência do desviado visando sua restauração. Caso ele não ouça Sua voz depois de algumas admoestações, o tratamento será mudado.”


“O coração do nosso Pai é grande demais e por isso, enquanto houver esperança para os perdidos, Sua misericórdia suspenderá o julgamento e o Senhor os castigará em Seu longo sofrimento (longanimidade), visando conduzi-lo ao verdadeiro arrependimento.”


“Só o fogo da disciplina pode remover a escória do ouro e da prata.”

 

“Não se esqueça que o diabo também é cirurgião, mas seus métodos são anormais e paliativos... ele nos ministra narcóticos, sedativos ou intoxicantes; nos coloca para dormir ou nos envolve numa vida de prazeres agradáveis e vertiginosos para que esqueçamos nossa doença. O diabo não pode curar nunca. Podemos passar toda a vida dependendo dele, mas vamos apenas piorar.”


O Senhor (Jesus), como habilidoso cirurgião que Ele é, às vezes precisa usar o método destrutivo.”


“Alguns tipos de desobediência podem ocasionar até a perda da própria vida física.”


“A Graça visa redimir e restaurar aqueles que são insubordinados e rebeldes, a fim de que possam se submeter ao método governamental de Deus.”


“O Espírito Santo começa então a mostrar-nos nosso erro, permitindo que venha sobre nós, primeiro a fraqueza, depois a doença, e finalmente a morte.”


“Confesse logo!”


“Se temos que experimentar altos níveis de calor em nossas provas, é porque o Senhor considera-nos como materiais preciosos.”


“O que o Senhor busca através do sofrimento educativo e preparatório é a própria imagem de Cristo em nós.”


“Não temos uma mente preparada para sofrer. O que realmente desejamos é gozar as coisas boas desse mundo.”

 

“Infelizmente, só aprendemos a humilharmo-nos depois de sermos humilhados.”


“O Senhor permite que nossos planos fracassem e que nossos esquemas falhem. Quando isso acontece, perdemos a confiança em nós mesmos.”


“Precisamos passar pelo sofrimento se queremos aprender a simpatizar com as aflições dos outros.”


“Muitas pessoas entram em contato com o mundo espiritual sem saber o que estão fazendo.”

 

“Satanás sabe como exagerar nossas fraquezas visando destruir nossa utilidade.”


“Muitos sofrem por não identificar a mão do inimigo”

A BENCAO DA TRAICAO

Posted by aventuradeaprender on April 11, 2017 at 10:45 AM Comments comments (0)

RESENHA DE LIVRO



A benção da traição (lido em 2017)

Autor: H. L. Roush



Nosso SENHOR foi traído. Muitos homens usados por Deus também experimentaram essa dor. O que o Senhor quis operar através disso? Uma grande bênção na vida de todos eles. E não será diferente conosco.


“A experiência debilitante de ser traído pelos próprios amigos e amados necessariamente virá à vida de cada crente. Abel foi traído pelo seu irmão único, Esaú pelo seu irmão gêmeo, Isaque pelo seu filho, Urias pelo rei em quem confiava e pela sua bela esposa, Jesus por Seu discípulo dedicado, Paulo por falsos irmãos. Creio que todo homem em quem Jesus habita terá nesses últimos e terríveis dias o seu próprio Judas particular (...). Além disso, traição é a experiência comum de todo homem que Deus já usou em qualquer época para a Sua glória.”



No livro o autor conta a experiência que passou ao ser traído por alguém que ele considerava o melhor amigo. Diz que ficou muito triste e questionou a Deus, mas Ele mostrou que isso seria benção no futuro assim como foi com Jesus que morreu na cruz para salvar a humanidade.



Então explicou que mesmo sabendo que Judas ia trair, Jesus o amou até ao fim. Ele fala também que Deus nos mostra quem está perto de nós e é falso, mas muitas vezes somos nós quem não queremos perceber. Realmente isso é verdade, mas o autor esqueceu-se de falar o caso da traição dos verdadeiros amigos como Pedro e os demais discípulos. Eu mesma já fui traída por irmãos verdadeiros.



Gostei quando ele explicou que a traição nos faz ser mais dependentes de Deus e olhar pra Ele ao invés de para as circunstâncias, que quando agimos assim Deus transforma o mal em bem. Outra parte excelente é quando o autor deixa claro que devemos amar aos nossos inimigos e que nossa experiência vai servir de testemunho para encorajar outros que passam pelas mesmas situações. Excelente! Só fiquei curiosa pra saber mais detalhes do testemunho dele.



É importante deixar claro que Deus não tenta ninguém e nem decreta o pecado das pessoas. O calvinismo rígido crê nisso, mas eu não sigo essa doutrina e até mesmo abomino tal tipo de pensamento. Só estou fazendo esse comentário por aqui porque essa resenha pode servir de base para inferir pensamentos desse tipo e isso não é verdade. Deus não provoca o mal, mas sabe como ninguém transformá-lo em bem para os Seus filhos.



Não apenas a Bíblia, mas a História da Igreja cristã como um todo está repleta de casos de traição. Irmãos que fundaram ordens religiosas e foram expulsos, padres desprezados pela própria comunidade, pastores e missionários que serviram há anos em alguma denominação e ficaram no fim da vida com dificuldades até para o sustento básico. O irmão Delcio Meireles, em suas pregações, conta uma parábola para ilustrar essa situação: é como um homem que ajudou com todos os recursos a fundar uma empresa e depois foi expulso não podendo ser tratado nem como serviçal.


Precisamos estar preparados para isso porque nosso reconhecimento muitas vezes não virá dos homens, mas de Deus e na grande maioria das vezes não será nem nessa terra e sim no Reino vindouro.



“As nossas experiências pessoais não são tão pessoais ou particulares quanto geralmente imaginamos. O que sucede nas nossas vidas como membros do Corpo de Cristo tem o propósito de trazer conforto e apoio a outros. Acontece a nós porque é a herança mútua dos membros do Corpo de Cristo compartilhar dos sofrimentos da Cabeça.”



“Creio que todo homem em que Jesus habita terá nesses últimos e terríveis dias o seu próprio Judas particular, pois no dia de engano e falsificação será proeminente o irmão falso.”



“Quantos santos têm sobrevivido aos ataques exteriores apenas pra caírem, feridos mortalmente por amargura, ressentimento, malícia e um coração que não perdoa.”



“Damos muitas vezes mais glória ao diabo, ao mundo e à carne nas circunstâncias das nossas vidas do que merecem. Culpamos os nossos inimigos quando somos esbofeteados, mas recebemos grande paz e quietude de coração quando nos recusamos a reconhecer causas secundárias nas nossas vidas.”



“Nem todos gozam o privilégio de conhecer a agonia da traição, cuja finalidade é levar-nos a participar, em alguma medida, da profundidade do Amor de Cristo.”

MINIATURISTA

Posted by aventuradeaprender on April 5, 2017 at 11:15 PM Comments comments (0)
RESENHA DE LIVRO


Miniaturista (lido em 2017)

Autora: Jessie Burton



No outono muito frio de 1686, Nella Oortman, de 18 anos, chega em Amsterdã para começar uma nova vida como esposa do ilustre comerciante Johannes Brandt. Mas sua nova casa, apesar de esplendorosa, não é acolhedora. Johannes é gentil, porém distante; sempre trancado em seu escritório ou no depósito onde guarda seus produtos, deixa Nella sozinha com a irmã dele, a maliciosa e ameaçadora Marin. A jovem não consegue se aproximar do marido e parece que o casamento nunca será consumado.


Mas o mundo de Nella muda quando Johannes lhe dá um extraordinário presente de casamento: uma réplica da casa deles em miniatura. A maquete é exatamente como a casa em que moram, com os mesmos quadros, tapeçarias e objetos de arte. Para mobiliar a casinha, Nella contrata os serviços de um miniaturista — um artista furtivo e enigmático, cujas criações são cópias perfeitas dos móveis e objetos da casa. O artesão envia a Nella ítens finamente talhados, alguns que nem sequer foram requisitados, e bonecos que repetem e algumas vezes predizem os acontecimentos da cada vez mais estranha vida de Nella na casa.

 

O presente de Johannes ajuda a esposa a compreender o mundo da família Brandt, mas, à medida que ela descobre seus segredos, começa a temer os perigos crescentes que os cercam. Nessa sociedade religiosa e repressiva, em que o ouro só é menos venerado que Deus, ser diferente é uma ameaça às morais e nem um homem como Johannes está livre. Apenas uma pessoa parece capaz de enxergar o futuro que os aguarda. Seria o miniaturista a senha para a salvação ou o arquiteto da destruição?



Esse livro aparentemente é um suspense de mistério, mas está mais para um romance histórico. Só que mesmo assim os elementos de suspense estão bem presentes e apesar das descrições super detalhadas e do começo ser um pouco lento a leitura é bem agradável. Outra coisa que me chamou bastante atenção é o forte conteúdo religioso no pior sentido da palavra. Seria eufemismo eu dizer que senti vontade de vomitar.



“Quando conhecemos realmente uma pessoa, Nella, quando enxergamos além dos gestos mais amáveis, dos sorrisos, quando vemos a raiva e o medo patético que cada um de nós esconde, então o perdão é tudo. Todos nós precisamos desesperadamente disso. E Marin… Marin não sabe perdoar.”



“— Vocês duas estão fazendo muito barulho — adverte Marin. — Por favor, lembrem que as pessoas estão sempre olhando.”



Petronella (Nella) morava em um vilarejo chamado Assendelft com sua família em boa situação financeira, mas o pai se envolve com jogos e morre deixando a família endividada. Pensando em garantir o futuro da filha, a mãe arranja seu casamento com um comerciante rico chamado Johannes. Eles se casam às pressas e a mudança é marcada para meses depois. Só que, como diz na sinopse, o casamento não se concretiza porque ele nem a toca. Na primeira parte do livro vemos sua frustração que só aumenta quando recebe a tal casa de bonecas pra ter com o que se ocupar.



Entretanto, depois dessa parte um a um os segredos começam a ser desvendados. Não posso falar muito aqui para não dar spoiler, mas tanto Nella quanto nós veremos que nada é o que parece. No meu caso não causou tanto espanto porque como conheço o puritanismo calvinista já esperava por aquele tipo de coisa. Quanto ao segredo do miniaturista vi muitas críticas de que não ficou bem explicado, mas pelo menos pra mim a explicação foi clara e brilhante.



"Ao me mostrar minha própria história, reflete Nella, a miniaturista se tornou autora dela. Gostaria muito de poder recuperá-la."



Como eu já disse, o que me deixou mais chocada foi o comportamento protestante puritano antigo. Conhecemos isso atualmente com o nome de legalismo. Da mesma forma que os fariseus, as pessoas buscam aprovação de Deus e da sociedade através da obediência às leis, muitas vezes extra-bíblicas e pouco (ou nenhum) espaço há para o Amor a Deus e ao próximo. O resultado disso é: todos aparentando bondade e santidade, mas com as vidas podres e caindo por dentro. Pessoas que dizem amar a Deus, mas no fundo apenas têm medo e raiva d’Ele. Até mesmo o pastor demonstra satisfação ao ver os pecados das pessoas sendo revelados. Vizinhos que espionam uns aos outros pra enxergarem nos outros os pecados que tentam esconder em si mesmos. Realmente muito triste...



"Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte?"



“— Você coloca essa fantasia de manhã, Pieter Slabbaert — diz Johannes. — E você também, Frans Meermans. E ambos escondem seus pecados e suas

fraquezas em uma caixa sob a cama, e esperam que, deslumbrados com suas vestes, nos esqueçamos deles.”



Outro ponto interessante é o desprezo pelo catolicismo que eles chamam pejorativamente de “papistas” e o quanto a religião juntamente com o Estado queriam controlar até mesmo o que as pessoas comiam! Parece que Nella era católica em sua cidade natal porque teve uma hora que ela diz que o sacerdote da infância dela e os pastores de onde estava concordavam em que homossexualismo é uma abominação. E como eu, também ficou muito triste com a falsa religião calvinista que eles seguiam e teve muita piedade deles entendendo que só teriam a oportunidade de redenção através do sofrimento porque é através dele que poderiam conhecer a si mesmos por trás da aparência de falsa santidade e piedade. Jesus poderia libertar, mas jamais toda aquela opressão religiosa que mais fazia piorar tudo!



“— Quando conheci você — começa ela, desesperada para se livrar daquela tristeza —, não se importava com a Bíblia, com Deus, com culpa, pecado nem vergonha.

— Como sabe que eu não me importava?

— Você não ia à igreja, se irritava com as orações de Marin, e comprava muitas coisas. Comia bem, desfrutava os prazeres que podia ter. Era seu próprio deus, arquiteto do seu destino.

Ele sorri, gesticulando para as paredes ao redor.

— E veja só o que construí.”


 

Vejam o trecho de um culto:



“O pastor Pellicorne se posiciona diante do púlpito. É alto, tem mais de cinquenta anos, barba bem feita, o cabelo grisalho, curto e elegante, o colarinho largo e de um branco brilhante. Sua aparência sugere que ele tem um grupo de criados atentos. Pellicorne não perde tempo com introduções: — Hábitos abomináveis! — brada ele, se dirigindo aos cães e às crianças, aos pés que se arrastavam e ao monte de gaivotas do lado de fora. O silêncio cai sobre o recinto, todos os olhos voltados para o pastor, menos os de Otto, que baixa a cabeça, concentrado em seus dedos entrelaçados. Nella olha para Agnes, cujos olhos estão erguidos na direção de Pellicorne, como uma criança fascinada. “Ela é tão estranha”, pensa. Em um minuto tão loquaz e arrogante, no outro tão infantil e empenhada em impressionar. — Em nossa cidade há muitas portas fechadas, e não podemos ver o que há atrás delas — continua Pellicorne, duro e impiedoso. — Mas não pensem que podem esconder seus pecados de Deus. — Os dedos finos apertam a beirada do púlpito. — Ele os descobrirá — sentencia, acima das pessoas. — Não há nada escondido que não vá ser revelado. Os anjos do Senhor olharão pelas janelas e pelo buraco da fechadura de seus corações, e Ele os julgará por seus atos. Nossa cidade foi construída sobre um pântano, nossa terra já sentiu a ira de Deus antes. Triunfamos, trouxemos a água para o nosso lado. Mas não descansem agora… Foi a prudência e a boa vontade para com o próximo que nos ajudaram a triunfar. — Sim — grita um homem na multidão. Um bebê começa a chorar. Dhana solta um ganido e tenta se enfiar debaixo da saia de Nella. — Se não segurarmos firme as rédeas de nossa vergonha — diz Pellicorne —, voltaremos todos ao mar. Sejam honrados em favor de nossa cidade! Olhem dentro de seus corações e pensem em como pecaram contra seu vizinho, ou como seu vizinho é um pecador! Ele faz uma pausa de efeito, ofegante em sua retidão. Nella imagina a congregação abrindo as costelas de todos, olhando a confusão pulsante em seus corações pecadores, espiando cada um dos corações antes de fecharem seus corpos. No canto da igreja, um estorninho bate as asas. “Alguém deveria deixá-lo sair”, pensa ela. — Eles sempre ficam presos — sussurra Cornélia. — Não permitamos que a fúria do Senhor nos machuque outra vez. — Há diversos grunhidos de concordância vindos da congregação e, a essa altura, a voz de Pellicorne está ligeiramente trêmula de emoção. — É a cobiça. A cobiça é o vício que temos que combater… a cobiça é a árvore e o dinheiro é sua raiz profunda! — O dinheiro também comprou esse seu belo colarinho — murmura Cornélia. Nella fica sem ar, tentando não rir. Ela arrisca um olhar para Frans Meermans. Enquanto a atenção da esposa está voltada para o púlpito, ele observa os Brandt. — Não devemos nos enganar achando que dominamos o poder dos mares. — Pellicorne modula sua voz em um sussurro insistente, tranquilizante, antes de tocar na ferida. — Sim, a generosidade de Mamon se mostrou para nós, mas um dia irá afundar a todos. E onde vocês estarão nesse dia fatídico? Onde? Atolados até o pescoço em doces açucarados e tortas de frango gordurosas? Cercados de sedas e colares de diamantes? Cornélia suspira. — Quem dera — comenta. — Quem dera… — Cuidado, cuidado — alerta Pellicorne. — Esta cidade floresce! O dinheiro dela lhes dá asas para voar. Mas ele é um jugo em seus ombros e vocês deveriam perceber o hematoma que cria em volta do pescoço. Marin estreita os olhos com força, como se fosse chorar. Nella torce para que seja apenas um tipo de êxtase espiritual, uma entrega ao poder das sagradas palavras de advertência de Pellicorne. Meermans ainda está olhando. Marin abre os olhos e percebe isso, então seus dedos apertam ainda mais o livro de Salmos. Ela se mexe no assento, o sofrimento estampado no rosto de cera. A garganta de Nella está seca, mas ela não ousa tossir. Pellicorne está chegando ao clímax e os corpos da congregação se aproximam, tornando-se mais compactos, alertas. — Adúlteros. Homens do dinheiro. Sodomitas. Ladrões — grita o pastor. — Tomem cuidado com todos eles, procurem por eles! Avisem seus vizinhos se a nuvem do perigo estiver se aproximando. Não permitam que o mal atravesse a porta de sua casa, pois, uma vez que o vício chega, é difícil acabar com ele. O chão sob nossos pés se desintegrará, a fúria de Deus cairá sobre nossa terra. — Sim — diz o homem na multidão. — Sim! Dhana late, cada vez mais agitada. — Quieta — sussurra Cornélia. — O que vocês podem fazer para expulsá-lo? — brada Pellicorne, voltando à carga total, os braços abertos como o próprio Cristo. — Amor. Amem seus filhos, pois eles são as sementes que farão esta cidade florescer! Maridos, amem suas esposas, e, mulheres, sejam obedientes, por tudo que é bom e sagrado. Mantenham suas casas limpas, e suas almas seguirão o exemplo! Ele termina. Há suspiros de alívio, sons de concordância, um despertar e esticar de pernas. Nella começa a ficar zonza. A luz brilha nas lápides. Sejam obedientes. Maridos, amem suas esposas. Você é a luz do sol que atravessa a janela, sob a qual me posto, aquecido. Minha querida. O bebê chora outra vez, e Nella e Marin olham ao mesmo tempo enquanto a mãe tenta, sem sucesso, silenciá-lo, afastando-se da congregação e saindo pela porta lateral da igreja. Nella segue o olhar de Marin, ambas fitando com inveja o breve quadrado de dourada luz do sol proporcionado pela saída da mulher. Neste intenso novo mundo de Amsterdã, nesta igreja fria da cidade, uma hora de adoração parece um ano.”



Spoilers:



Johannes é gay; o melhor amigo dele tem raiva por causa de um romance com Marin; só que na verdade era Marin que não quis casar com o tal e o irmão levou a culpa; Marin engravidou do criado da casa e escondeu a gravidez... Nesse meio tempo a miniaturista (que ela descobre ser uma mulher) continua mandando miniaturas das pessoas que Nella conhece que pressagiam o que iria acontecer. Depois descobrimos através da conversa com o pai que ela também chama Petronella e tem um dom que a faz conhecer a alma das pessoas, mas que várias mulheres da cidade também receberam as miniaturas. Realmente dom de Palavra de Conhecimento... No final Johanes morre afogado por ter sido denunciado pelo ex melhor amigo por sodomia e Marin morre no parto. O livro termina literalmente assim mostrando o quão inútil é uma religião sem Cristo e sem Amor!


 

“Não vou machucar você, Petronella, era a promessa de Johannes feita no barco a caminho da Guilda dos Prateiros. Ela sempre achou que gentileza se referia a uma ação. Mas deixar de fazer algo, um gesto de abstenção… isso também seria gentileza? Nella aprendera que a sodomia era um crime contra a natureza. Com relação a isso, há pouca diferença entre um pastor de Amsterdã e um sacerdote de sua infância em Assendelft. Mas quão certo é matar um homem por algo que está em sua alma? Se Marin tiver razão, e isso não puder ser retirado de Johannes, então qual o sentido de todo aquele sofrimento?”


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